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«Mas afinal, o que vem a ser a mulher?»: representação da mulher oitocentista e formação da leitora no Jornal das Senhoras / Luma Virginia de Souza Medeiros.

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A imprensa oitocentista brasileira guarda uma profunda intercomunicabilidade com a literatura, principalmente no que concerne à escrita feminina. Por ser anterior à cultura livresca, vários escritores trabalhavam no papel de editores para financiar suas obras, ao passo que essas contribuíam com a manutenção do jornal. Os textos formavam não apenas a opinião pública como também rascunhavam o/a leitor(a) brasileiro(a). Nessa vanguarda, Juana Paula
Manso (1819-1875), escritora exilada argentina, disputava na arena pública, tipicamente masculina, a atenção das leitoras com um jornal feito por e para mulheres, com o intuito
promover a emancipação moral da mulher a partir da sua ilustração. “A mulher! O que vem a ser a mulher?”, provocava Manso na primeira edição do Jornal das Senhoras com a mesma
pergunta feita quase cem anos depois por Simone de Beauvoir (1949), para criticar a pretensa
neutralidade epistemológica e expor as desigualdades das relações entre os sexos. Visitando a fortuna crítica de Juana Manso, o objetivo central desta dissertação é analisar como foram
construídas e representadas as imagens da mulher e da leitora oitocentista brasileira, presentes
nos artigos e no folhetim do Jornal das Senhoras, no período em que esteve sob a direção de Juana Manso – janeiro a junho de 1852. Estudo de caráter qualitativo busca, a partir de uma revisão bibliográfica da imprensa no Brasil no século XIX, verificar como o Jornal das Senhoras encontra-se inserido nesse contexto histórico e social, para, em seguida, identificar
as estratégias utilizadas para orientar as leitoras em jornais da época e viabilizar seu discurso de emancipação, tendo como suporte teórico os estudos de Duarte (2016), Lajolo e Zilberman (2019), Candido (2006), Velasco y Arias (1937), Morel (2008), Costa (2012), Buitoni (1981),
entre outros. Foi possível com este trabalho identificar os valores que animavam os personagens femininos no folhetim e nas crônicas, assim como a construção da imagem da
mulher e da leitora oitocentista brasileira nos artigos do Jornal das Senhoras, desde a perspectiva da mulher.

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